Neste final de semana, concluo um ciclo de atuação nas tarefas nacionais da direção do Partido dos Trabalhadores. A militância segue com novos focos, outras responsabilidades e a mesma disposição de sempre para fortalecer o projeto popular que nos move.
Essa caminhada começou no movimento estudantil. Em 2015, como vice-presidenta da UNE, representei milhares de jovens que enfrentavam os efeitos do ajuste fiscal, organizavam ocupações de escolas e defendiam a democracia e os direitos sociais. Foi um momento de tomada de consciência coletiva: sabíamos que o futuro precisava ser disputado politicamente.
Desde 2017, passei a contribuir com a construção nacional do PT em um dos períodos mais desafiadores da nossa história recente. Estive em Curitiba no dia da prisão de Lula. Ali, ao lado de tantas e tantos companheiros, organizamos um dos maiores encontros da juventude petista, com a abertura no acampamento Lula Livre. Aquele período foi um divisor de águas: revelou a força de uma militância disposta a resistir diante de um sistema que tentava enterrar o projeto popular brasileiro.
Nesse período, tive a oportunidade de coordenar o Representa, projeto de renovação política do partido. A iniciativa ajudou a impulsionar uma geração de novas lideranças petistas, mulheres negras, LGBTQIA +, periféricas, com os pés no território e forte vínculo com as lutas populares. O Representa demonstrou que a renovação do PT passa, necessariamente, pela ampliação das vozes que constroem o partido na base.
Esses anos me ensinaram que construir um partido como o nosso é tarefa cotidiana. Que não basta estar nas lutas, é preciso transformá-las em estratégia, formação e organização. O PT segue sendo, com todas as suas contradições, a principal ferramenta de enfrentamento às desigualdades estruturais do Brasil.
Hoje, concentro minha energia na atuação parlamentar em Contagem (MG), cidade operária da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde desenvolvo um mandato enraizado nas periferias, conectado com os movimentos sociais e comprometido com as transformações estruturais de que o povo brasileiro precisa.
Esse novo momento de atuação política é resultado de uma reorganização de tarefas. Faz parte de um movimento coerente com a construção coletiva que defendo: abrir caminhos para novas lideranças, sem deixar de somar onde for necessário. A militância nacional segue viva em mim no trabalho legislativo, na formação política e nas batalhas que travamos dentro e fora das instituições.
Entre 2015 e 2024, enfrentamos um golpe, uma prisão política, uma pandemia, a ascensão da extrema direita e a violência política contra mulheres, negras e LGBTQIA+. Ainda assim, conseguimos manter viva a esperança, resistir com organização e reconquistar, com o voto popular, o governo federal. Essa trajetória é coletiva e resultado de uma militância generosa, de direções comprometidas e de uma juventude que não se cansa de sonhar e lutar.
Nos próximos anos, temos o desafio de aprofundar a renovação do PT sem abrir mão de suas raízes ideológicas, programáticas e de classe. O projeto popular exige presença ativa nas ruas, nas redes, nos parlamentos, nos territórios e nos espaços de base.
A política exige coragem para se reinventar sem jamais mudar de lado. É com esse espírito que sigo, com os mesmos compromissos e ainda mais responsabilidade. Onde houver povo se organizando, juventude se mobilizando e um projeto popular em disputa, lá estarei!
Moara Saboia é vereadora pelo PT em Contagem