Em 2025, Contagem completa 114 anos de emancipação política. Mas sua história é muito mais antiga: o Jubileu de Nossa Senhora das Dores, por exemplo, é realizado na cidade há 219 anos, mostrando que a vida comunitária já pulsava muito antes do reconhecimento oficial. Registros históricos revelam que, enquanto as regiões de Ouro Preto e Mariana exploravam ouro e outras pedras preciosas, Contagem se destacava como área de abastecimento das zonas mineradoras, produzindo alimentos para sustentar as populações que viviam da extração.
Ao longo do tempo, a cidade construiu uma identidade marcada por tradição e resistência. A atual gestão, liderada por Marília Campos, tem reforçado um novo costume: celebrar o aniversário da cidade com grandes eventos, que já se tornaram parte da memória afetiva dos contagenses. As escadarias da Igreja Matriz São Gonçalo, por exemplo, transformam-se anualmente em palco de shows memoráveis. Em 2025, será a vez de Nando Reis, no dia 28 de agosto, contagiar o público com sua música, reforçando o vínculo entre a cena nacional e a cultura local.
Entre as atrações, está também o tradicional Festival das Abóboras, que mobiliza a cidade para degustar quitutes preparados a partir do fruto que já foi símbolo polêmico. A origem do apelido “Contagem das Abóboras” tem duas versões: a primeira, segundo narrativas locais, remete a uma família chamada Abóboras, ativa na vida social e política da região; a segunda, às grandes plantações de abóbora que cobriam o território. Durante anos, a expressão teve tom pejorativo, mas o investimento da cidade em educação patrimonial transformou a percepção. Hoje, o termo é visto com humor e orgulho, incorporando-se à identidade contagense.
A diversidade cultural também pulsa nas tradições afro-brasileiras presentes no município. Contagem abriga a Comunidade Quilombola dos Arturos, cinco guardas de congado, benzedeiras, capoeiristas, mestras e mestres da cultura popular. Essa herança se manifesta em festas e práticas culturais que preservam a memória e fortalecem o sentimento de pertencimento.
A presença afro-brasileira em Contagem é mais do que uma expressão cultural: é parte fundadora da história e da identidade do município. Desde os tempos coloniais, famílias negras, muitas descendentes de pessoas escravizadas que trabalharam nas lavouras e no abastecimento das regiões mineradoras, deixaram marcas profundas na vida comunitária. Suas práticas religiosas, músicas, danças e modos de viver atravessaram gerações, resistindo a períodos de silenciamento e preconceito, e hoje se afirmam como símbolos de orgulho e pertencimento.
As guardas de congado, por exemplo, não apenas preservam um legado religioso e musical, mas também atuam como espaços de sociabilidade e transmissão de saberes. Em suas festas e cortejos, a batida dos tambores e as cores vibrantes das fardas celebram a fé, a ancestralidade e a força coletiva. Da mesma forma, as benzedeiras mantêm viva uma medicina popular que combina rezas, ervas e acolhimento, oferecendo cuidado integral à comunidade e preservando um conhecimento que atravessa séculos.
A capoeira, presente em diferentes bairros, também cumpre papel central. Mais do que uma arte marcial, ela é linguagem de resistência e diálogo, reunindo crianças, jovens e adultos em rodas que misturam canto, movimento e história. Ao lado dos mestres e mestras da cultura popular, esses elementos compõem um mosaico vivo da Contagem afro-brasileira, onde cada gesto, som e rito reafirma a importância da memória e da valorização das raízes na construção de uma cidade plural.
Ao longo do mês de agosto, diferentes regionais recebem eventos que valorizam essa pluralidade. O Contagem Geek, no dia 16 de agosto, no Parque Cataguás (antigo Fernão Dias), abre a programação aproximando o universo geek e pop do calendário oficial, criando pontes entre tecnologia, criatividade e juventude. Trata-se de um evento que a cada ano ganha proporções ainda maiores, mobilizando participantes de todo o estado.
No dia 22, a cidade celebra o Festival Gastronômico das Abóboras, na Praça Tancredo Neves, reforçando a culinária como patrimônio imaterial. É um dos momentos mais saborosos e simbólicos das comemorações do aniversário de Contagem. No Festival, a participação dos grupos da terceira idade vinculados aos CRAS é um dos pontos altos da programação. Esses grupos levam ao evento um repertório culinário que mistura tradição, criatividade e memórias afetivas, transformando a abóbora em ingrediente principal de pratos variados.
Além de abrilhantar o festival, essa presença reforça o papel dos CRAS como espaços de convivência e fortalecimento de vínculos, onde o saber gastronômico é compartilhado, valorizado e transmitido entre gerações. A competição culinária, julgada por júri técnico e popular, vai muito além de uma disputa: é um momento de confraternização, reconhecimento e celebração da cultura local.
Mais do que uma celebração gastronômica, o festival é também um resgate histórico e cultural, valorizando um elemento que faz parte da identidade local e que, por muitos anos, foi motivo de apelido popular para a cidade. Ao transformar esse símbolo em orgulho, o evento promove o encontro de famílias, estimula o turismo e movimenta a economia solidária, com barracas de produtores locais e artesãos que complementam a experiência com produtos regionais e artesanato de qualidade.
A história de Contagem é feita de encontros entre passado e presente. Desde os tempos coloniais, o município foi ponto estratégico de passagem e abastecimento, mas também palco de movimentos comunitários que moldaram sua identidade. Ao longo das décadas, presenciou o crescimento industrial, o adensamento urbano e o fortalecimento das lutas sociais que reivindicaram direitos básicos para a população. Essa trajetória contribuiu para que a cidade consolidasse uma cultura marcada pela resistência e pelo orgulho de suas origens. Celebrar o aniversário de Contagem é, portanto, revisitar essas memórias e reafirmar os valores que sustentam seu desenvolvimento.
Nesse contexto, a gestão da prefeita Marília Campos tem se destacado por transformar as comemorações em um espaço de afirmação cultural e inclusão social. Ao unir grandes shows, manifestações tradicionais e ações comunitárias, a prefeitura tem garantido que o aniversário da cidade seja mais do que uma festa, mas sim um momento de fortalecimento de vínculos e de visibilidade para o município. Essa abordagem amplia o acesso da população à arte, promove o turismo e projeta a cidade no cenário estadual e nacional.
Combinando história, cultura, tradição e desenvolvimento econômico, as comemorações de 2025 reforçam o papel de Contagem como um território que sabe valorizar seu passado e investir no futuro. A atuação da prefeita Marília Campos, ao articular memória e inovação, garante que as festas não sejam apenas um momento de celebração, mas também um instrumento de fortalecimento comunitário, inclusão social e dinamização da economia local. É essa integração entre cultura, história e economia que mantém viva a identidade contagense e prepara a cidade para os desafios dos próximos anos.
Aniele Fernandes de Sousa Leão é doutora em Educação, pela UFMG. Mestre em Educação (CEFET), Especialista em Gestão de Projetos (USP); Graduada em História (UNIBH) e Pedagogia (UNINTER).