Criada em 2005, após concurso realizado nas escolas da rede municipal da cidade que escolheu a identidade visual e o nome de cada um dos personagens, atualmente a Turma do Contagito completa 20 anos e se consolida como um dos principais instrumentos de educação patrimonial da cidade e preservação de sua história. O patrimônio cultural contagense reúne bens desde o período colonial, e traduzir essas características de forma didática tornou-se a missão da Turma do Contagito. O programa conquistou reconhecimento em nível nacional, sendo vencedor, em 2008, na categoria Educação Patrimonial do concurso promovido pelo IPHAN, recebendo o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. No mesmo ano, foi destaque na Revista de História (n. 39) da Biblioteca Nacional.
Dentro da proposta de educação patrimonial, a Turma estimula a criatividade das crianças, promovendo um aprendizado lúdico e interativo. Cada personagem da turma representa pontos importantíssimos para a história da cidade, o protagonista Contagito representa a origem do nome da cidade durante o período do Ciclo do Ouro, onde a região que viria a ser a cidade de Contagem era conhecida como “região abóboras”, Zé Gonçalo representa os agricultores que viviam e trabalhavam na criação de gado, porcos e galinhas, nas lavouras de café e cana-de-açúcar do antigo arraial e seu nome faz referência também ao santo padroeiro da cidade, São Gonçalo do Amarante, a Faluca presta homenagem à jabuticaba, fruta de grande importância para os contagenses e patrimônio imaterial inventariado pela cidade, o Arturinho representa a Comunidade Quilombola dos Arturos, patrimônio imaterial registrado pelo Município e pelo Estado e também a presença e história das comunidades afrobrasileiras na cidade, A Chami é uma chaminé que simboliza a Cidade Industrial, inaugurada em 1941 como o primeiro parque industrial planejado da América Latina e recém incorporado na turma, Caquito homenageia a Casa dos Cacos e seu criador, o geólogo Carlos Luiz de Almeida e Fifi, a elefanta também criada pelo geólogo, simboliza a própria Casa dos Cacos e está localizada logo na entrada do espaço.
Em Contagem, as ações de difusão da educação patrimonial acontecem durante todo o ano: são realizadas cerca de 3.500 visitas escolares anuais, envolvendo aproximadamente 200 crianças por semana, em espaços como a Casa Nair Mendes Moreira, a Casa de Cacos e a Estação Bernardo Monteiro.O plano educativo possibilita que os estudantes conheçam os personagens da Turma do Contagito e apliquem esse conhecimento nos equipamentos culturais. Essa política de educação ganhou força durante a gestão Marília Campos, quando foram entregues, devidamente restaurados, fruto do investimento que totaliza cerca de R$4,3 milhões na Casa de Cacos, a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira e a Estação Bernardo Monteiro. Hoje, cada um desses espaços apresenta a história da cidade por meio das visitas escolares. Observa-se, ainda, que, com a Turma do Contagito, a representatividade dos personagens é ampliada, favorecendo uma compreensão mais profunda sobre a história de Contagem e a constituição de seu patrimônio cultural.
Para celebrar os 20 anos do lançamento da Turma do Contagito, a Prefeitura Municipal de Contagem através da Secretaria Municipal de Cultura, promoveu uma exposição inédita que apresenta esboços originais, páginas completas de histórias em quadrinhos e releituras atualizadas dos personagens que marcaram gerações. A mostra convida o público a explorar de perto o universo criativo da Turma e realizou também no dia 19 de agosto de 2025 no CEU das Artes Ressaca, através da Secretaria de Educação, o pré lançamento por meio do Centro de Memória da Educação, com seis curta-metragens em linguagem de animação protagonizados por cada um dos personagens, a Turma do Contagito.
Gabrielle Vaz é formada em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas, nas modalidades de Licenciatura e Bacharel. Pós-graduação lato sensu em Gestão e Projetos de Patrimônio Cultural pelo IEPHA Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e a UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais e Mestranda em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG Atua como diretora de memória e patrimônio na Secretaria de Cultura de Contagem.
Rafael Braga Diogo é graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas, na modalidade de Licenciatura e graduando em Museologia na modalidade bacharel pela UNIASSELVI. Atua como gerente de museologia, arquivologia e bens patrimoniados na Secretaria de Cultura de Contagem.