O Brasil, suas instituições, sua economia e as conquistas sociais, estão sob um violento ataque da extrema direita. José Dirceu chega a afirmar que trata-se do momento mais grave que vivemos dos últimos 135 anos, desde a proclamação da República, em 1889. Está tudo em risco: a democracia, o Estado Social, e a soberania nacional. A situação é muito séria, os sentimentos que devem prevalecer é de indignação, revolta e esperança. É preciso uma enorme politização do governo, dos partidos de esquerda e do centro democrático e da militância progressista de um modo geral. Não tem graça no que está acontecendo. Gestos de vingança, deboche e ironia despolitizam nossas lutas, vitimizam e fortalecem Bolsonaro. Nosso objetivo deve ser claro: transformar a maioria social (população mais pobre e de classe média) em maioria política consistente em defesa de um projeto nacional para o Brasil.
Trato neste artigo de posturas políticas que devemos ter a partir de indicativos da pesquisa Quaest mais recente e de estratégias definidas pelo governo Lula e pela nova presidência do PT. Temos a nosso favor pesquisas muito positivas: a) democracia: 86% da população condena os atos de 8 de janeiro; b) justiça tributária: a isenção do Imposto de Renda até R$5.000 e redução do valor até R$ 7.000,00 tem apoio de 79% dos brasileiros e a cobrança de impostos dos mais ricos tem apoio de 63%; c) tarifaço: 72% discordam do “tarifaço” imposto por Trump, a pedido da família Bolsonaro, ao nosso país; d) jornada de trabalho: 71% da população é favorável ao fim da escala 6 X 1.
Como se vê, são índices muito altos de aprovação às pautas do governo Lula. Mas, contraditoriamente, isto reflete muito gradualmente na recuperação da popularidade de Lula, e, mesmo com a traição da família Bolsonaro ao Brasil, como no caso do tarifaço, candidaturas bolsonaristas, como a de Tarcísio de Freitas, continuam muito competitivas. As políticas de Lula, as que listamos anteriormente, mais o bom desempenho da economia é compatível com uma aprovação do presidente de 55% a 60% da população. Mas até agora a aprovação tem ficado de 43% a 50%; quem sabe nas próximas pesquisas a aprovação se torne mais robusta. O certo é que existe uma dificuldade de transformar apoio às nossas pautas em aprovação do governo Lula.
Isto exige do governo e do progressismo em geral uma enorme capacidade de diálogo com os eleitores de centro; na política é preciso estender o “tapete vermelho” por onde possam caminhar pessoas que querem mudar de rumos na política brasileira. A última pesquisa Quaest mostra que foi exatamente no eleitor moderado que Lula avançou mais, ou melhor, reduziu mais a desaprovação de seu governo. Diz Felipe Nunes: “Entre eleitores lulistas ou de esquerda, a aprovação continua alta (> 80%). Entre eleitores bolsonaristas ou de direita, a aprovação continua baixa (< 12%). A mudança mais significativa foi captada nos setores moderados, onde o saldo negativo passou de -28 pp para -16 pp”.(…) Ou seja, precisamos persistir no diálogo com o eleitor moderado, como ressalta Edinho no item seguinte.
Edinho Silva, novo presidente do PT: “Pela primeira vez dialogamos com parte do eleitor bolsonarista”. Isso precisa continuar porque vai definir, em grande medida, as vitórias da esquerda em 2026 e nos anos seguintes. Edinho Silva, eleito presidente do PT com votação consagradora, mesmo antes de assumir o cargo, já marca grande presença no cenário político com posições certeiras: “Deveríamos caminhar para trazer para nosso campo aquele eleitor do Bolsonaro que votou por uma questão conjuntural, que não é o eleitor ideológico, convicto. Sempre defendi que fôssemos capazes de dialogar com esse eleitor. Agora está acontecendo pela primeira vez desde a posse. As entregas do governo não mexeram na opinião pública, mas o debate sobre o modelo de sociedade mexe. Quando discutimos justiça tributária, estamos debatendo o modelo de Brasil que queremos construir: um Brasil de privilégios ou um Brasil de igualdade de oportunidade. Aí veio Trump dizendo ao Brasil como as nossas instituições têm que funcionar. Novamente, você vê a sociedade se movendo na defesa do Brasil. Mexemos na opinião pública”.
Veja só: quando dizemos que é preciso “despolarizar” o Brasil não se trata de uma posição de neutralidade na disputa política; significa esvaziar a guerra cultural, a polarização de nomes: Lula versus Bolsonaro; e encaixar o debate de projete nacional centrado na defesa da democracia, do Estado social, da soberania nacional e do desenvolvimento econômico.
O que Marília fez em Contagem é o que Edinho recomenda para o Brasil: governos de esquerda devem ser capazes de um grande “diálogo social” visando furar as bolhas e conquistar parte dos eleitores de Bolsonaro para o nosso lado. José Luís Fiori iluminou a nossa militância política em Contagem e é uma das nossas principais referências teóricas do petismo local, quando fez um diagnóstico do “tempo histórico” da extrema direita, que é o fim das épocas da globalização neoliberal, que deixam um rastro de desigualdade, desesperança, guerras, conflitos políticos e religiosos, ódio e ressentimentos. No artigo “Revolta e esperança”, José Luís Fiori diz: Nesta hora, mais do que nunca, é preciso inovar e apresentar com coragem e absoluta clareza, ideias e projetos, mas sobretudo, um “sonho de futuro” capaz de sintonizar com a imaginação e a esperança de todos os brasileiros”. E é isso o que a prefeita Marília Campos e o petismo de Contagem tem feito: uma aposta, até agora vitoriosa, no “sonho de futuro” para os contagenses. Desestimulamos a “guerra cultural”, com a defesa da “Contagem da diversidade”, onde todos e todas devem ser respeitados(as), independente de opinião política, raça, orientação sexual, religião, clube de futebol; Marília implementa um dos maiores planos de investimentos em todas as áreas, que está mudando a cara de Contagem; as políticas públicas tem grandes avanços, especialmente no caso da saúde; Marília empolga a cidade com “cultura, lazer, e esportes de graça para a população”; Contagem tem um empolgante processo de participação popular e ocupação dos espaços públicos. Isto e muitas outras políticas implementadas por Marília.
Tudo está em risco no Brasil: a democracia, o Estado Social, e a soberania nacional; não dá para achar graça e fazer deboche de coisas tão sérias. Grande parte da esquerda brasileira assiste vídeos e lê Pepe Mujica, mas não tem “escuta” para aquilo que o velho, o ancião, disse, em particular aquilo que ele pronunciou no final da vida dele. Uma das falas mais representativas de Mujica é: “É fácil ter respeito por aqueles que pensam de forma parecida com a nossa, mas é preciso aprender que o fundamento da democracia é o respeito por quem pensa diferente”. Sem compreender isso não vamos derrotar a extrema direita. Veja só: Bolsonaro deve ser preso não porque é de direita, ou melhor de extrema direita, e pensa diferente de nós, de esquerda, mas porque é um golpista, que quer e trabalha para implantar no Brasil uma ditadura militar ou um regime autocrático. Será uma tragédia para a esquerda, e isso será inevitável sem uma forte intervenção de Lula e das lideranças do PT, que a prisão Bolsonaro, ao invés da defesa da democracia, seja comemorada como um “gesto de vingança”, “de deboche”, como nas musiquinhas cretinas e despolizadas que vemos na internet. Isto poderá fechar completamente o diálogo social com quem pensa diferente de nós e que, como disse Edinho, está sendo conquistado para nossas posições e candidaturas em torno das entregas de nosso governo na economia, no debate da reforma tributária, na defesa da soberania nacional e da democracia. A extrema direita já está utilizando a “tornozeleira” de Bolsonaro, para vitimizar o ex-presidente e reduzir os desgastes da articulação e adesão ao tarifaço de Trump.
Felizmente, o governo Lula, especialmente com o competente e experiente Sidônio Pereira, na Comunicação, e a nova direção do PT, com Edinho Silva, estão adotando posições visando manter o diálogo com os segmentos mais moderados do bolsonarismo. Recentemente, o governo Lula, na questão da Operação da Polícia Federal de colocação de tornozeleira eletrônica em Bolsonaro, além de outras restrições legais ao ex-presidente, determinou a todo o governo a “manter distanciamento” dos fatos, a fim de deixar claro a independência dos poderes, a autonomia do Judiciário, e para não dar munição para a vitimização do ex-mandatário. Essa posição construída no governo Lula levou a que três ministros suprimissem publicações que abordavam a operação da Polícia Federal.
O governo Lula, ao manter distância dos processos contra Bolsonaro, busca também se fixar na agenda política do crescimento econômico, na defesa da democracia, na defesa do Estado Social, que tem como um dos fundamentos uma maior justiça tributária e a defesa da soberania nacional.(…) Esta posição do governo Lula, foi a mesma que adotamos em Contagem no governo Marília Campos, que determinou não trazer para dentro do governo os processos e operações contra a família Bolsonaro; já que governos devem ter um diálogo social com todos e todas e devem se vincular às grandes temas programáticos: em Contagem a defesa da “Contagem da diversidade” e o grande projeto político, econômico e social para nossa Cidade.
Os parlamentares e a militância progressista precisam se referenciar cada vez mais na direção política dada pelo governo Lula e pela nova direção do Partido dos Trabalhadores, comandada por Edinho Silva. Não podemos mais agir cada um por si, como vem acontecendo nas últimas semanas. Ao invés de uma defesa contundente da democracia, de imagens massivas da quebradeira de Brasília no dia 8 de janeiro, condenada por 86% da população; em vez de prevalecer os sentimentos de indignação, revolta e emoção, o que vimos nas redes sociais progressistas nos últimos dias, com a operação contra Bolsonaro e a “tornozeleira eletrônica”, foram posts, cards, vídeos gestos de vingança, deboche e ironia vitimizam e fortalecem Bolsonaro. Vimos os já manjados: “Grande dia”; “Toc, toc, toc, aqui é a Polícia Federal”, e a música “Tá na hora de Jair já ir embora”; “Fim da linha para Bolsonaro”. Como assim: fim da linha para Bolsonaro? A extrema direita não será enfraquecida e derrotada apenas pela posição enérgica e correta do Poder Judiciário; será derrotada, principalmente, nas ruas e nas urnas nas eleições de 2026. Para derrotar Bolsonaro é preciso “combinar” com os 58 milhões de eleitores que votaram nele em 2022. E a pergunta que fazemos é a seguinte: quantos eleitores de Bolsonaro alguém consegue trazer para o nosso lado com a estratégia da polarização?
A polarização social, “ricos versus pobres”, não dialoga com a classe média, que precisamos conquistar para nossas posições. Recentemente escrevi um artigo onde afirmei: “A polarização “ricos versus pobres”, no caso do IOF, empolga a militância mas tem efeito mais limitado junto nossa base social mais pobre; as mudanças no imposto de renda visam fazer um “diálogo social” com a classe média, especialmente do Sudeste, que será fundamental para nossa vitória em 2026”. Veja só: a última pesquisa Quaest mostrou que Lula avançou mais na aprovação popular, não foi em seu eleitorado tradicional mais pobre e do Nordeste. A melhoria se deu exatamente na classe média que tem renda de 2 a cinco salários mínimos, com ensino superior completo e do Sudeste, que são os mais interessados nas mudanças no Imposto de Renda.
Veja as conclusões de Felipe Nunes, da Quaest: “O que chama atenção é que a melhora na popularidade se deu principalmente fora das bases de apoio tradicionais do governo…
Enquanto nas outras regiões não houve variação na aprovação, no Sudeste a diferença negativa passou de -32 pp para -16 pp.”(…) “A mudança mais significativa nos estratos de escolaridade se deu entre quem tem ensino superior completo: a diferença que era de -31 pp em maio, passou para -8 pp em julho”.(…) Não foi nem entre os mais pobres, nem entre os mais ricos que captamos mudanças na aprovação; foi nos setores de renda média: a diferença que era de -19 pp passou para -9 pp de maio pra cá”. A pesquisa da Quaest indica, no entanto, que a polarização “ricos versus pobres” limita o potencial da reforma tributária da renda: “A isenção do IR para quem ganha até 5mil tem apoio de 75% da população, e o aumento do IR para super-ricos tem apoio de 60%. Mas por que o tema não teria ganhado tração ainda? O motivo não parece ser o conteúdo em si, mas a forma como foi apresentado. Se a justiça tributária vier acompanhada de uma roupagem ‘ricos contra pobres’ o tema tende a perder força, já que 53% afirmam que essa estratégia cria mais briga e polarização. É a escolha tática que o governo vai ter que fazer assim que retomar o assunto. Se mantiver o clima de confronto social, tende a mobilizar sua base lulista ou de esquerda, mas tende a perder o eleitor moderado de centro”.
Tudo indica que o governo Lula e o PT estão atentos sobre a forma e o conteúdo que deve ser encaminhada a reforma tributária da renda. Informa o site Diário do Centro do Mundo: “O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, negou que o governo Lula esteja promovendo uma campanha de confronto entre ricos e pobres. Segundo ele, a proposta de reforma tributária em discussão busca justiça fiscal, cobrando mais dos que hoje contribuem pouco. “Na verdade, não é rico contra pobre. É 99 contra 1. Justiça tributária, tá?”.(…) Edinho Silva fez uma fala parecida com Sidônio em entrevista ao jornal Valor Econômico: “Não acho que seja um debate de ricos contra pobres. O que eu acho é que temos uma sociedade de privilégios, de supersalários. Por que tem servidor público recebendo R$ 100 mil, enquanto a maioria dos brasileiros não ganha nem R$ 2 mil? A gente vai continuar desonerando setores da economia que não precisam ser desonerados? Não é rico contra pobre, é sobre combater privilégios”.
Com o agravamento da crise diplomática entre Brasil e EUA, Lula retoma o discurso da soberania nacional e amplia apoio político e popular no país. O Brasil foi surpreendido recentemente com a intromissão violenta do governo Trump na soberania de nosso país, com um tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras e a exigência inaceitável de encerramento de todos os processos contra Bolsonaro e a família dele.(…) Pesquisa Quaest realizada de imediato aos ataques do governo dos EUA ao nosso país, mostrou uma amplíssima rejeição às medidas: “a) 66% ficaram sabendo da carta enviada por Trump ao presidente Lula; 79% acreditam que as tarifas impostas vão prejudicar suas vidas; e 72% consideram que Trump errou ao impor taxas ao Brasil sob a justificativa de que haveria uma perseguição contra Bolsonaro; b) o tarifaço contra o Brasil conseguiu unir a esquerda, os lulistas e os moderados (sem posicionamento); mas dividiu a direita e os bolsonaristas. Ou seja, empurrou o ‘centro’ para o colo do Lula”.
Emir Sader disse que ao liderar a defesa da soberania nacional, Lula assumiu seu terceiro mandato: “Nesse contexto, o apoio às posições de Lula se espalhou de líderes empresariais brasileiros, prejudicados pela tarifa de 50%, para a mídia, indignada com a postura da família Bolsonaro de prejudicar a economia brasileira em troca da revogação da proibição de Bolsonaro de concorrer à presidência. A busca pela anistia é o objetivo dos bolsonaristas. O discurso de Lula, nesse contexto, recuperou a capacidade de se tornar hegemônico no Brasil, despontando como o defensor dos interesses do país. Quem consegue emergir como representante da soberania do país torna-se a maior expressão dos interesses nacionais. Lula, mais uma vez, passa de líder sindical a estadista, de lutador pelos interesses econômicos e sociais a governante de todos os brasileiros. As pesquisas refletem isso, com o apoio crescente a Lula projetado para continuar aumentando. Sua reeleição parece cada vez mais provável, assim como a prisão de Bolsonaro”(Brasil 247, 19/07/2025).
E veja só: o tarifaço de Trump é contra todos os países do mundo, e, recentemente, tais ataques à soberania dos países, em plenas campanhas eleitorais, levou a uma recuperação da centro esquerda, que melhorou nas pesquisas e virou eleições no Canadá e Austrália. Mas no caso do Brasil a eleição é somente daqui há mais de 1 ano, tempo que a extrema direita buscará diluir o tarifaço de Trump contra o Brasil. Será decisiva para as eleições de 2026 que a economia se mantenha numa perspectiva positiva: crescimento acima de 2%, mais geração de emprego, crescimento da renda, câmbio estabilizado, diminuição da inflação, redução gradual dos juros, contas públicas sob controle.
É correto que se mantenha a pressão sobre o Congresso Nacional em torno de nossa agenda política – defesa da democracia, justiça tributária, soberania nacional, fim da escala 6X1, contra o PL da devastação – mas não se deve descambar para a anti-política que é, na sua essência, anti-petista. O presidente eleito do PT, Edinho Silva, tem tido uma posição corajosa, mas sem radicalismo, de críticas ao Congresso Nacional. Veja o que ele disse em entrevista ao jornal O Globo: “Vou continuar dialogando. Vivemos um momento de uma confusão institucional. Durante os governos Temer e Bolsonaro, tivemos uma descaracterização do presidencialismo. O Congresso hoje executa R$ 52 bilhões do Congresso. O Congresso expropriou do Executivo boa parte das suas atribuições.
Temos uma contradição estrutural. É o IOF, amanhã vai ser outro tema. O tempo todo o Congresso reivindica. Em todas as votações, tem que aumentar o volume de emendas liberadas. Essa contradição precisa ser superada. No caso do IOF, o governo tinha aberto uma negociação. Achar que ia impor uma derrota daquele tamanho ao Lula e pensar que ele não ia reagir? Teve um erro grande de leitura. Agora, penso que o Brasil precisa fazer uma reforma política e eleitoral. Deveríamos debater o voto em lista, como as grandes democracias no mundo fazem. No máximo, caminhar para um modelo de voto distrital misto. Os partidos têm que ser maiores do que são. Hoje, ou você atende o varejo ou não forma mais maioria”.(O Globo, 23/07/2025).
Pesquisa Quaest indica que a população dá razão ao governo na questão do IOF e da reforma do imposto de renda, mas considera que a disputa de governo e Congresso não é boa para o Brasil: “A notícia da disputa entre o Congresso e o Governo chegou a 51% da população, mas a forma como foi conduzida parece ter produzido uma opinião mais negativa que positiva nas pessoas: 79% acreditam que o conflito entre os poderes mais atrapalha que ajuda o Brasil. Outro dado que indica (ainda) a baixa efetividade da campanha é que apenas 17% dizem ter visto os vídeos com inteligência artificial produzidos pelo governo. O alcance parece ter se limitado a pequenas bolhas. Mas o potencial da tese para melhorar a imagem do governo é grande: 63% dos brasileiros concordam que o governo deveria aumentar impostos dos mais ricos para poder diminuir a taxação dos mais pobres”.
Estas informações da Quaest indicam que a pressão sobre o Congresso é correta, mas é preciso evitar a anti-política; precisamos é de “politização na veia”. Será muito difícil aprovar no Brasil o voto em lista, que é mais politizado e aproxima os resultados das eleições majoritárias e proporcionais. Mas até que se mude o sistema político eleitoral podemos realizar uma pressão política, com grandes resultados. Veja só o que escrevi em um artigo recente: “E no Congresso Nacional precisamos entender o seguinte: os parlamentares do Centrão são vinculados aos ricos, mas suas bases sociais, neste país ainda tão desigual, são entre os pobres. Os mais barulhentos, representantes do agronegócio, por exemplo, não se elegem apenas com os votos dos patrões, dependem do voto dos trabalhadores rurais e moradores das pequenas e médias cidades. Estes mesmos deputados(as) que estão hoje contra Lula foram os mesmos que aprovaram historicamente todos os direitos sociais de nossos governos, que mais recentemente votaram maciçamente pela supressão da principal âncora econômica dos governos anteriores: o teto de gastos. Eles deverão votar maciçamente no aumento da isenção e redução do imposto de renda, para não contrariarem os seus eleitores, mas muitos se oporão às medidas compensatórias com a taxação maior dos ricos e super-ricos, já que eles poderão ser afetados. É a pressão social que fará os deputados terem que mediar os seus interesses de classe com os interesses de seus eleitores”. (…) Foi exatamente isso que fez o deputado Artur Lira recentemente no relatório do Imposto de Renda: mediou os interesses dos mais dos setores ricos que ele faz parte com os interesses de seus eleitores; além de se cacifar para a disputa do Senado em Alagoas.
José Prata Araujo é economista.