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João Vitor Viana: A adultização de crianças e a infantilização de adultos. Um mundo que precisa ser remediado, antes que exploda!

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Não é de hoje que temas relativos ao comportamento humano é debatido, inclusive, de forma nacional, por destoar da “normalidade” e, por vezes – e não são poucas – corroborarem com incentivos, crimes ou influências negativas e perversas a outras pessoas, inclusive crianças.

Recentemente, uma denúncia do influenciador digital, Felca, sobre o comportamento de outro, Hytalo Santos, reascendeu a questão, que não é novidade, mas que, ao que parece, finalmente vai resultar em algo positivo para a sociedade. O comportamento de adultos, explorando a imagem e corpos de crianças e adolescentes é algo asqueroso, horroroso, criminoso e precisa ser não apenas refletivo pelas autoridades do país, como também haver uma punição imperiosa sobre esses atos, pedófilos.

Sou daqueles que, normalmente, prefiro ser ponderado. Contudo, quando o assunto é adultização ou sexualização infantil, como qualquer ser humano de bem, a revolta é o sentimento mais brando. Como diria o próprio Felca, em entrevista ao programa “Altas Horas”, “quem não se indigna com isso não é ser humano”. Vou além: quem passa pano para esse comportamento, apoia. E quem apoia esse tipo de situação, seja curtindo, compartilhando ou influenciando outras pessoas, também precisa ser responsabilizado. Lugar de criança não é criando conteúdo, não é se mostrando, não é beijando outras crianças.

Um outro lado da moeda, dessa vez não tão revoltante, mas também que merece menção, é a infantilização do adulto. Não faço pesquisa, não vejo dados, mas percebo atos. Seja no trabalho, no dia a dia, em conversas que contam, o adulto, a cada dia, parece estar mais infantil. E não é porque muitos amam passar horas a fio jogando vídeo game, que é algo que não tem muita idade, apesar de ser apreciada, em boa parte, por crianças e jovens.

Já falei aqui, nesse mesmo blog, a questão do bebê reborn, para mim, uma questão psiquiátrica, que também vale para as pessoas que tratam cachorros como verdadeiros bebês, com roupinha, chupeta, carrinho e outros frufrus. Outra situação que precisa ser refletida é o comportamento em repartições públicas, quando é possível ver – e não é algo eventual –, brincadeiras sem sentido, perturbadoras de ambiente, de pessoas com mentalidade inferior a 10 anos – mesmo a maioria tendo mais de 30. Dias atrás vi em uma publicação no Instagram que, em breve, veremos “adultos com chupetas”. Motivo: desestressar. Ah, conheço muitas outras formas de desestressar!

A conclusão que chego, infelizmente, é que a sociedade prova, a cada dia, que o ser humano foi uma invenção que não deu certo. De todos os animais presentes no mundo, o ser humano é o dito racional. Contudo, por todo o seu comportamento, suas decisões, suas ideias medíocres, excessos e crimes, fico pensando se isso é, de fato, comportamento racional. Em boa parte das situações acredito que não. E mais: não sei se falamos em infantilização do adulto ou idiotização. Afinal, há muitas crianças que são bem mais adultas que muitos adultos, inclusive que conheço.

Devemos rever a questão de ser ou não racional. Se pensar causa tantos resultados, sugiro homem (ou mulher) parar de pensar. Talvez, assim, a qualidade humana prevaleça um pouco mais, onde o respeito nortearia outros atos e fatos, que não incomodariam tanto e que pudesse fazer essa criatura, bípede, que possui um polegar opositor, ao menos, mais sociável. Caso contrário, ouso a dizer que o mundo vai explodir. E não vai demorar.

João Vitor Viana é jornalista.

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