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José Prata: Marília aqui, Lula lá; isto fez toda a diferença para Contagem

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Contagem é um caso raro, senão o único em grandes cidades brasileiras, de dois ciclos do petismo coincidentes na cidade, com Marília, e no Brasil, com Lula. E isto fez e faz toda a diferença no projeto do desenvolvimento econômico e social de nossa cidade, com apoios muitos expressivos do governos federal com recursos para investimentos; com mais recursos para o custeio das políticas públicas e com mais desenvolvimento econômico e geração de empregos no Brasil e em Contagem. Contagem tem gratidão com Lula por grandes obras nos dois primeiros mandatos de Marília, como a Maternidade, UPAS e UBS; escolas infantis, Cefet Contagem; grandes obras de saneamento e mobilidade, como as do PAC Arrudas, implantação do Bolsa Família. E agora, mais recentemente, financiamentos para grandes obras de mobilidade, como a avenida Prefeito Newton Cardoso, programa asfalto novo; obras em vilas, favelas e bairros periféricos; obras de trincheiras e duplicação de viadutos da BR 381; e a sonhada estação do metrô próximo ao viaduto Beatriz.(…) Publiquei recentemente em minhas redes sociais fotos maravilhosas de Marília e Lula, 1996, na campanha para a Prefeitura de nossa Cidade. Nos anos seguintes a mulher bancária se tornou tetra, quatro vezes prefeita de Contagem e o operário metalúrgico se tornou tri, três vezes presidente do Brasil e candidatura muito competitiva para conquistar o quarto mandato presidencial.

Marília e Lula mostram que o petismo das origens está vivo, vibrante e, até aqui pelo menos, tem se mostrado indestrutível. Marília, depois de concluir sua brilhante trajetória sindical no sindicalismo bancário, disputou, pela primeira vez, em 1996, a eleição para prefeita de nossa cidade. Mulher jovem, “atrevida” e ousada, teve 20% dos votos numa eleição em que disputou com Newton Cardoso e Ademir Lucas. O PT na época já tinha 15 anos de construção, já tinha disputado eleições para prefeito com boas votações, tinha eleito vereadores, projetado lideranças para Minas e o Brasil, tinha boa presença nos movimentos sociais de nossa cidade. Marília foi favorecida por este acúmulo político, mas fez uma campanha sem quase nenhuma estrutura. Marília venceu por 16 votos as prévias do PT, contou com o apoio da militância na campanha, correu a cidade no primeiro carro que tivemos (um gol cor vinho, que dei para ela com a venda do meu primeiro livro) e teve inserções no SBT, que tinha programas populares, sobretudo nos finais de semana, de grande amplitude. E nos intervalos dos programas Silvio Santos e do Gugu, estava ela, Marília, falando de esperança e numa cidade melhor. O jingle de campanha cantarolava: “Nossa estrela no céu desta cidade brilha / a esperança é mulher / nossa canção é Marília”.

Um reforço fundamental em nossa campanha foi dele: Lula. Depois de ser derrotado em duas eleições, em 1989 e 1994, Lula corria o Brasil na sua luta obstinada para levar os trabalhadores à presidência da República; e ele esteve em Contagem para apoiar Marília na histórica campanha de 1996.(…) Nossos sonhos viraram realidade. Lula, depois de perder novamente em 1998, virou presidente na quarta tentativa, em 2002, o primeiro operário na história a ocupar o mais alto posto em nosso país; e, em 2004, Marília, depois de eleita vereadora e deputada, virou prefeita, a primeira mulher a governar Contagem em toda a história de nossa cidade. O que impressiona, é como Lula e Marília atravessaram todas as conjunturas no Brasil e no mundo e permaneceram com suas lideranças praticamente intactas. São duas lideranças inesquecíveis. Marília foi eleita para um terceiro mandato na Prefeitura, em 2020, e o reencontro com Lula presidente se deu nas eleições de 2022. Marília foi reeleita prefeita pela quarta vez no primeiro turno, em 2024, e poderá continuar a caminhada junto com Lula, em 2026, quando esperamos que o presidente se torne tetra, quatro vezes presidente do Brasil.

Impressionante também é a trajetória muito parecida de Marília e Lula. Lula foi sindicalista do movimento metalúrgico, Marília, sindicalista bancária: ambos foram presidentes de seus sindicatos; foram fundadores da CUT e do PT; e se notabilizaram como grandes lideranças em cargos majoritários; e são duas das lideranças mais representativas e resilientes do PT; depois de mais de 40 anos de militância, os dois “não foram deixados pelo caminho”. Como disse um amigo recentemente: não foram abandonados pelo caminho porque “Lula e Marília se transformaram no caminho para o Brasil e Contagem”.(…) É bom destacar que Marília fez uma transição muito interessante de sindicalista para prefeita, uma trajetória muito parecida com a do nosso presidente Lula. Marília foi sindicalista e presidenta do Sindicato dos Bancários e depois ocupou por três vezes o mandato executivo, como prefeita de Contagem e, agora, foi eleita para um quarto mandato. Um balanço indica claramente que os movimentos sociais, em geral, são mais radicais, mas também, por representarem interesses concretos de segmentos da sociedade, são mais corporativos. Já no Poder Executivo, os administradores de esquerda, em geral, são mais moderados, mas, tendo que atender demandas de toda a sociedade, são também mais universais. Marília se dedicou com muita garra à luta dos bancários por melhorias salariais, emprego e por planos de saúde e de Previdência, auxílio-alimentação e creche; mas, na Prefeitura, teve que avançar para uma visão mais universal, para atender demandas de saúde, educação, urbanização de toda a população. Ou seja, Marília, como Lula, era mais radical como sindicalista. Como prefeita, ela é mais moderada, mas também é uma líder política mais universal.

Veja só: temos em Contagem, com Marília Campos, uma experiência de diálogo social, que deveria ser uma referência para o Brasil: mantivemos firmes o apoio dos mais pobres, mas nunca perdemos o apoio da classe média. Uma estratégia construída muito a partir das experiências dos dois primeiros governos Lula, com o “Lulinha, paz e amor”. Veja como a maioria social de classe média e mais pobres sustentou o projeto nosso em Contagem. O PT, até 2002, foi um partido de classe média, representando principalmente, os trabalhadores assalariados urbanos, e Marília, até aquela época, era também uma liderança de classe média. Com Lula presidente, em 2002, o PT chegou às regiões mais pobres do Nordeste e da periferia das cidades do Sudeste; e Marília, eleita prefeita em 2004, também se vinculou à periferia mais pobre. A partir de 2010, especialmente, o PT perdeu a classe média e a população das periferias das grandes cidades do Sudeste. Mas, Marília manteve as bases sociais das duas fases do PT: a classe média e a população mais pobre de nossa Contagem. E isto ajuda a explicar o porquê ela foi vitoriosa para deputada estadual, com grandes votações, em 2014 e em 2018. E mais recentemente, mesmo num cenário de polarização com a extrema direita, nosso projeto mostrou enorme vigor. Marília foi eleita com 51% dos votos, para prefeita em 2020; conseguiu aprovação popular acima de 75% da população, implementou um grande programa de melhoria dos serviços públicos e obras, ampliou o “direito à cidade” para mais bairros e regiões. E, agora em 2024, ela conquistou o quarto mandato em primeiro turno com 60,68% dos votos; com uma virada histórica nas regiões Nacional e Ressaca onde o PT se tornou maioria pela vez nos mais de 40 anos de nosso Partido. (…) Luís Felipe Alencastro, historiador, fez certa vez uma síntese que se tornou uma referência para nós: “O objetivo de toda esquerda democrática é transformar a maioria social em maioria política”. Foi isto que aconteceu em Contagem com a nossa companheira Marília Campos.

Pode parecer arrogância e muita pretensão política a afirmação que sempre faço de que a estratégia da “despolarização política” que utilizamos em Contagem, com Marília Campos, é, em minha opinião, o único caminho possível para vencer a extrema direita em 2026. Repito: a estratégia que sugerimos ao governo Lula foi aquela que aprendemos em grande medida com o próprio Lula e que, aqui em Contagem, garantiu uma continuidade histórica impressionante da liderança de Marília Campos.(…) Veja só: Marília é, desde sempre, uma liderança afirmativa, desde quando iniciou sua trajetória como liderança estudantil em Uberlândia, mesmo quando Lula era ainda o “inflamado” líder operário. Mas foi com Lula, no período de 2003 a 2010, que “teorizamos” a nossa conduta política; replicamos em Contagem o “Lulinha, paz e amor” e criamos, com a marca lúdica a “Marilinha, paz e amor”. E política afirmativa, ao contrário do que muitos afirmam, não é algo ingênuo. A política negativa, somente nega; a política afirmativa, a um só tempo, nega e afirma. Ou seja, se proponho, por exemplo, a “Contagem da diversidade” estou negando a “Contagem do preconceito e do ódio”, se defendo “cultura, esporte e lazer de graça para a população” estou negando “tais políticas somente para quem pode pagar”.(…) Agora, para nossa satisfação, está voltando o “Lulinha, paz e amor”; ele tem razão em ser mais “dialogal” e “sedutor” porque a polarização é um “suicídio político” para quem é governo. Defendo a despolarização mesmo quando somos oposição, pois se o governo está desgastado deixemos a campanha negativa para os governantes e devemos apontar a “esperança de futuro”. Já a polarização para quem é governo, que me desculpem quem se sentir ofendido, beira a “estupidez política”. A polarização somente interessa a oposição, que, não sendo governo, não tendo nada a mostrar, age como uma “metralhadora giratória”; governo é avaliado, majoritariamente, pela gestão, pelas entregas que faz em termos de políticas públicas e investimentos em obras.(…) O que me impressiona é como Marília, não tendo se desgastado com o anti-petismo nos últimos 12 anos, manteve números praticamente iguais aos de Lula; ela tem 81% de aprovação popular, o mesmo percentual que Lula tinha em 2010; Marília conquistou o quarto mandato com votação em Vargem das Flores de 72%, exatamente o mesmo percentual que Lula teve no Nordeste em 2022. Vargem das Flores é o “Nordeste da Marília”.

Não é impressionante as “coincidências” nas trajetórias de Marília e Lula?

José Prata Araújo é economista

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