Falo neste texto das eleições para o Senado em Minas Gerais. Publico a seguir um quadro com as setes pesquisas divulgadas em 2025, sendo que em seis delas Marília Campos lidera para o Senado. Mas trato também do palanque completo da esquerda em Minas. As pesquisas indicam que, se Rodrigo Pacheco não aceitar ser o nosso candidato ao governo, somente Alexandre Kalil é uma candidatura de centro-esquerda competitiva. E Lula poderá ser eleito, inclusive no primeiro turno, se, ao invés da polarização, concentrarmos radicalmente na defesa de nossa agenda política vitoriosa para o Brasil: democracia, direitos sociais e soberania nacional. Boa leitura!
Em sete pesquisas para o Senado, Marília Campos lidera seis delas. Apresentamos na tabela sete pesquisas de cinco diferentes institutos de pesquisa no ano de 2025, de março a dezembro. Marília Campos lidera seis delas. A única em que a petista aparece em segundo lugar se deve ao fato do Instituto Ver apresentar Marília no mesmo cenário de outro petista, o deputado Reginaldo Lopes. Este é um primeiro dado que mostra o potencial enorme de Marília, que se referendada pelo PT Minas, pela direção Nacional e pelo presidente Lula, poderá se tornar a primeira senadora da história do PT Minas, a segunda mulher a representar Minas no Senado, depois de Júnia Marise. (…) Não existe uniformidade na divulgação das pesquisas para o Senado, já que cada eleitor escolhe dois candidatos, e, por isso, o número de eleitores é o mesmo para todos os cargos, mas o número de votantes é bem maior no caso do Senado. Alguns institutos divulgam percentuais mais baixos porque se trata de uma proporção dos dois votos; alguns institutos divulgam a intenção de votos do primeiro voto e do segundo voto e um consolidado dos dois votos: na pesquisa Realtime BigData, de novembro/dezembro, por exemplo, Marília tem 21% no primeiro voto e 13% no segundo voto, totalizando 34% dos votos, sendo o consolidado de 17%. Tem instituto de pesquisa, que divulga a somatória dos dois votos, como no caso do Paraná Pesquisas, em cuja pesquisa de Minas Gerais não incluiu Marília na disputa para o Senado.
Marília é quem tem maior potencial de votos dentre os pré-candidatos. Nas primeiras pesquisas sobre o quadro eleitoral para o Senado em Minas Gerais, Marília Campos é a candidata com maior potencial de votos. Analisamos os dados da pesquisa do Instituto Ver, da primeira quinzena de setembro.(…) Marília está entre as candidaturas mais conhecidas (conhece bem, conhece mais ou menos e conhece de nome), um percentual de 30%, o que é um dado muito positivo, considerando que ela é muito conhecida na Grande Belo Horizonte, região estratégica nas eleições majoritárias e onde ela, provavelmente, tem a maior parte da intenção de votos e que pode, caso Marília se candidate, garantir uma poderosa largada na disputa por uma vaga no Senado.(…) Outro dado que confirma aquilo que temos em Contagem, é que Marília é a que mais chance de voto (“votaria com certeza” e “poderia votar”), um percentual de 62%, o que é um aspecto qualitativo dentro da pesquisa quantitativa, que mostra o potencial de voto da petista e a competitividade de uma possível candidatura.(…) E na rejeição temos o inverso da chance de votos: Marília é a menos rejeitada, com percentual de 33%. A pesquisa do Instituto Ver, mostra que os dados que mostramos anteriormente refletem na intenção de votos segundo os diversos critérios. Marília lidera em todos os critérios: sexo masculino e feminino; em todas as faixas de idade; nos diversos níveis de escolaridade; em todas as faixas de renda; religião entre católicos e evangélicos; em todas as ideologias, inclusive entre pessoas de direita; raça/cor; PEA e não PEA.(…) Já na pesquisa Atlas Intel, de agosto, feita pela internet, Marília lidera mais forte entre as mulheres, juventude, idosos, católicos, ensino superior, classe média, e entre os que votaram em 2022 em Kalil e Lula.(…) Nenhum instituto de pesquisa divulgou a votação para o Senado por região, mas, ao que tudo indica, é a região metropolitana da Grande Belo Horizonte que lidera a intenção de votos em Marília Campos, como resultado do “transbordamento” do trabalho político e administrativo dela em Contagem para toda a nossa região. Não é condição única, mas uma grande votação na Grande Belo Horizonte é decisiva para a eleição para o Senado pelo peso numérico do eleitorado e pela enorme peso também na formação da opinião política para todo o Estado. Marília provavelmente já tem boa intenção de votos também no interior, como é o exemplo de pesquisa do Instituto Opus, em Uberaba, divulgada no final de 2025, onde ela aparece em primeiro lugar com 11% dos votos.
Marília “fura a bolha”, lidera no “primeiro voto” e no “segundo voto” e isto é fundamental numa eleição com duas vagas para o Senado. O Sitemoonbh, em publicação de 11/12/2025, afirma que Marília lidera no primeiro voto, “voto de confiança” e no segundo voto, “voto útil”. Diz o site: “Se a direita mineira vive uma briga acirrada voto a voto, a esquerda parece já ter um nome indiscutível para 2026. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), desponta como a favorita absoluta na disputa pelas duas vagas ao Senado por Minas Gerais, segundo levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado pela Record. Os números mostram uma hegemonia impressionante: Marília não apenas lidera a “primeira opção” de voto com folga, mas, ao somar a segunda escolha do eleitor, atinge um patamar que a coloca muito à frente de todos os adversários, consolidando-se como o pilar da chapa petista no estado. Em uma eleição para o Senado com duas vagas, a matemática da vitória depende da capacidade de ser o “voto de confiança” (1ª opção) ou o “voto útil” (2ª opção). Marília domina a primeira categoria. Confira o desempenho da petista: 1º Voto (A preferida): Marília tem 21% das intenções; 2º Voto (A complementar): Ela soma mais 13% como segunda opção. Total: Na soma das intenções, Marília Campos atinge 34%, liderando o ranking geral”.
A análise do sitemoonbr confirma pesquisa que circulou em Contagem nos meios políticos no ano de 2025. Marília tem uma aprovação popular em Contagem que “fura a bolha”, é aprovada amplamente pela população nos mais diversos critérios, inclusive no critério político/ideológico. Veja só: a) Marília tem 81% de aprovação, sendo 81% entre mulheres e 81% entre os homens; b) por idade, varia de 79% a 83%; c) por escolaridade, varia de 78% a 84%; d) por renda, varia de 79% a 86%; e) por religião, Marília tem 78% de aprovação entre os evangélicos e 83% entre os católicos; por ideologia, Marília tem 79% de aprovação de pessoas que se definem como de “direita”, 82% nas pessoas de “centro”, e 89% nas pessoas de “esquerda”. Tem alguns sectários que afirmam que Marília é muito popular porque tem apoio de muitos eleitores de “direita”. Líder político de esquerda bom é aquele que tem o apoio somente dos 25% dos eleitores de esquerda? Inacreditável! Lula já chegou a ter 80% da aprovação popular em 2010 e era, com toda razão, saudado como “o cara”, um dos presidentes mais populares do mundo.(…) Claro que a aprovação popular, por si só, não garante voto na urna. Marília tinha 81% de avaliação positiva, mas foi eleita no primeiro turno com expressivos 60,68%, mas bem abaixo da aprovação popular. Isto mostra que “furar a bolha” é um processo gradual, ou seja, podemos conquistar eleitores de Bolsonaro para o nosso lado aos poucos. Mas veja só o avanço que já tivemos em Contagem: Lula teve 45% dos votos em Contagem em 2022; Marília conquistou 60% dos votos, em 2024; estes 15% a mais representam em torno de 50 mil eleitores de Bolsonaro que elegeram Marília prefeita.
César Felício, em um amplo artigo no jornal Valor Econômico, fala da eleição do Senado: “A lógica da eleição de duas vagas para o Senado é traiçoeira; não basta o candidato(a) ser forte na primeira escolha; ele(a) precisa ter baixa rejeição para ser também uma opção forte na segunda escolha. “A eleição das duas vagas é uma decisão tomada pelo eleitor na reta final da eleição, não em seu início. O eleitor pode votar em senadores de chapas diferentes, e normalmente é isso o que ocorre. Em 2002 e 2018, somente 16 dos 54 eleitos estavam na mesma chapa. Em 2010, 25 dos 54.(…) O retrospecto também sugere que o eleitor tem uma tendência a alinhar a escolha dos senadores com a de governador. Tanto em 2002 como em 2010 e 2018 a maior parte dos eleitos apoiava o candidato a governador que venceu a eleição.(…) A polarização nacional obviamente exerce um papel. O Senado se inclinou à esquerda em 2010, eleição em que o PT estava mais forte, com Lula no fim do seu segundo mandato presidencial com popularidade altíssima e Dilma Rousseff vencendo a eleição nacional com uma coligação ampla. Na ocasião, dois terços dos senadores eleitos eram alinhados ao PT nacionalmente. Em 2018, somente 15 dos 54 eleitos estavam próximos da então chapa presidencial encabeçada por Fernando Haddad.(…) Isso tende a tornar a eleição mais complexa. No Rio de Janeiro, por exemplo, a reeleição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece escrita na pedra. Mas o PL e seus aliados estão com dificuldades para construir uma candidatura competitiva ao Palácio Guanabara. Isso coloca em dúvida a capacidade dos bolsonaristas de manterem a segunda vaga, hoje nas mãos de Carlos Portinho (PL-RJ).(…) A lógica das duas vagas pode ser traiçoeira. O então governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, entrou na disputa pelo Senado em 2002 como franco favorito. Era forte como primeira opção do eleitor, mas fraco como segunda escolha. Terminou suplantado por rivais que tinham rejeição menor. A mesma coisa aconteceu com Roberto Magalhães, governador de Pernambuco, em 1986. Para citar um exemplo mais recente, esse foi o caso de Dilma Rousseff em Minas Gerais, em 2018”. (Valor Econômico, 13/10/2025).
Nas mídias sociais, toda vez que é publicada uma pesquisa com Marília liderando, a extrema direita afirma que, tal como Dilma, a petista “vai levar uma virada” em 2026 como aconteceu em 2018. Não é bem assim. 2026 não repetirá 2018 por uma série de razões. Em 2018, quando Dilma perdeu as eleições para o Senado, nosso maior líder, Lula, estava preso; Fernando Haddad foi nosso candidato, teve um bom desempenho mas muito aquém do potencial de Lula; estávamos no auge do anti-petismo e da anti-política; o PT estava isolado no Sudeste e Sul; nosso Partido encerrava uma gestão mal avaliada no o governo de Minas Gerais. Agora, em 2026, a situação é diferente. Lula faz um bom governo, o que faz dele um candidato competitivo e até favorito; o bolsonarismo e a anti-política ainda são fortes, mas não tem a mesma força do passado e seu principal líder, Jair Bolsonaro está preso; o PT tem se recuperado no Sudeste e Sul, em particular na disputa para o Senado, onde petistas aparecem na primeira ou segunda colocação: Marília Campos, Fernando Haddad, Benedita da Silva, Paulo Pimenta; Marília tem potencial para furar a bolha e é forte competitiva no primeiro voto e no segundo voto, condição indispensável na eleição para duas vagas para o Senado.
Marília não é candidata a governadora ou vice; ela não pode renunciar à Prefeitura de Contagem para fazer uma “disputa autofágica” por uma das vagas do Senado; eleger um senador(a) é a melhor possibilidade para o “progressismo” em Minas Gerais. Em entrevista ao Estado de Minas, Marilia perguntada “Governo de Minas ou Senado? O que a senhora pensa no momento?”, ela respondeu: “É uma escolha que a gente tem que pensar bastante para fazer. Eu gosto muito de desafios. Estou muito bem em Contagem (Grande BH). A cidade está indo bem na nossa gestão, com grande aprovação popular. Eu diria o seguinte: governo do estado eu não quero, nem vice-governo, porque é uma experiência muito de Executivo, e eu já sou uma prefeita de quatro mandatos. Só aceitaria disputar algo que fosse novo, desafiante para mim. O Senado, com o meu nome despontando em primeiro lugar (nas pesquisas), eu prometo pensar com mais carinho. Mas, eu quero decidir isso lá para janeiro. Tem tempo ainda”.
Marília deixou claro, também em entrevista ao Estado de Minas, coluna de Orion Teixeira, que a experiência mal sucedida do PT em Minas coloca desafios insuperáveis para o retorno agora do nosso Partido ao governo do Estado: “De acordo com ela, o antipetismo impede a volta de seu partido ao governo. Minha vitória foi estupenda em Contagem, mas não seria vitoriosa em Minas pelas minhas características. Eu tenho a consciência e a humildade necessária para reconhecer isso. Eu sou do PT; o antipetismo é muito forte”, diagnosticou a prefeita, acrescentando que também não adianta trocar de partido. “Porque o PT não sairá de mim, eu tenho a estrela carimbada na minha testa. É a minha história”. O antipetismo é tão forte que, segundo ela, impediu que sua votação, que foi de 60% nessa reeleição, alcançasse sua aprovação de 80%. Diante disso, a petista defende uma candidatura de centro, para, além de ganhar, “conseguir governar e tirar Minas do atoleiro”. “Não pode ser um projeto que comece na defensiva. Precisamos de alguém para Minas que seja de centro, que resgate o desenvolvimento com sustentabilidade, mas que não carregue essa rejeição por ser do PT. Eu sou do PT e sei o que é o antipetismo”.
Portanto, participar da chapa majoritária e eleger um senador(a) é a melhor possibilidade para o “progressismo” em Minas Gerais nas eleições de 2026. E não se trata de algo pequeno; Marilia seria a primeira senadora da história do PT Minas desde a fundação, há 46 anos atrás. Marília tem um amplo potencial de vitória, mas a construção de sua candidatura precisa ser feita com enorme sabedoria e respeito. Veja só: pela composição social do Estado de Minas Gerais, repartido como o Brasil quase meio a meio em esquerda e direita, a possibilidade mais concreta para a esquerda é a eleição de um senador(a) e a outra vaga, quase certo, será ocupada por um candidato de centro direita ou de extrema direita.(…) A desincompatibilização da petista não é algo simples, como na maioria dos casos. Ministros e secretários de governo, por exemplo, como cargos de confiança, precisam apenas de deixarem os cargos que ocupam; muitos governadores, com oito anos de mandato e não podendo se reelegerem, como tem mandatos coincidentes com os do Senado, renunciarão aos seus mandatos já no mês de abril do último ano de governo e, em muitos casos, passarão o cargo para o vice-governador, que quase sempre é candidato ao governo do Estado. Já os prefeitos, que tem os mandatos não coincidentes com os cargos de senador e governador, terão que renunciar aos seus cargos já no início do segundo ano de seus mandatos, como é o caso de Marília Campos, João Campos e Eduardo Paes. Alexandre Kalil, por exemplo, não foi bem sucedido nesta estratégia; ele renunciou à Prefeitura de Belo Horizonte no início do segundo mandato, concorreu e perdeu a eleição para o governo do Estado, inclusive em Bem Belo Horizonte.(…) Marília tem um “tempo político” que precisa ser respeitado. Muitas lideranças irão se desincompatibilizar de seus cargos não sabendo ainda que cargos e em que condições irão disputar, tendo o prazo até junho para tomar a decisão. Marília para desincompatibilizar precisa renunciar ao cargo de prefeita de Contagem, e, por isso, ela precisa de uma decisão clara de imediato sobre a sua candidatura ao Senado e que tem o apoio do PT Minas, do PT nacional, do presidente Lula e dos partidos aliados. Esta decisão é fundamental porque, como dissemos, a renúncia não é algo trivial, precisa ser dialogada com a população, precisa se ter a garantia da continuidade das políticas e da equipe de governo.
Isto indica que uma eventual candidatura de Marília ao Senado é um desafio político para a petista. A diferença é que Marília não é uma liderança recente em Contagem; ela milita na política em Contagem há 30 anos, quando em 1996 disputou pela primeira vez a Prefeitura, foi vereadora e três vezes deputada estadual e sempre esteve “agarradinha” em Contagem, com mandatos do tipo “distrital”, saindo sempre eleita com os votos de nossa querida Cidade; Marília governa pela quarta vez Contagem, ela é tetra prefeita. Ou seja, Marília tem uma vida “dedicada a Contagem” e isto a população reconhece. Por isso mesmo, para surpresa de muitos e muitas, inclusive minha, José Prata, não há na cidade, na base social da Marília, resistências a que ela se candidate ao Senado, na maioria das vezes, como pode se ver nas redes sociais, o que existe é que Marília assuma desafios maiores, para o Senado, por exemplo, ou para outros cargos. Mas veja só. A maior preocupação em Contagem é a continuidade do governo Marília nos próximos três anos, até 2028; continuidade das políticas públicas, dos investimentos e da equipe de governo. Continuidade de um governo extremamente popular, com incríveis 82% de aprovação, e que mudou a história de nossa cidade nos últimos 30 anos.
Diante desta situação, Marília, corretamente, afirmou recentemente ao jornal Valor Econômico: “Para abrir mão do mandato quero ser abraçada como a candidata do Lula em Minas. Só irei disputar se o partido e o Lula me tiverem como prioridade. Ainda não vi o posicionamento dele”. Se tem duas vagas ao Senado este ano, é correto se lançar duas candidaturas para dar a opção do primeiro voto e do segundo voto para o eleitorado progressista; mas se a “melhor possibilidade” é a eleição de um senador(a) apenas, não se pode ter duas candidaturas de perfis políticos muito parecidos, lulista e de uma base social de centro-esquerda; se é para ter duas candidaturas terá que ser de dois perfis diferentes, uma de centro esquerda e outra mais vinculadas às bases sociais de esquerda.(…) Marília não pode, portanto, renunciar à Prefeitura de Contagem para fazer uma “disputa autofágica” por uma das vagas do Senado no interior do campo progressista; a renúncia só será possível se tiver o apoio amplo e prioritário do PT Minas, de partidos aliados e do presidente Lula.
E veja que a condição fixada por Marília não é descabida. A montagem do nosso palanque em São Paulo enfrenta o mesmo desafio de Minas Gerais. Em São Paulo, como em Minas Gerais, a melhor possibilidade é a eleição de um senador(a); então tem uma resistência ao lançamento de duas candidaturas competitivas e com o mesmo perfil para a disputa de uma única vaga. Marina Silva, por exemplo, uma das mais cotadas para o palanque de Lula em São Paulo, deixa a entender que não será candidata se tiver que disputar com Fernando Haddad a vaga no Senado que poderá ficar com a esquerda. Veja a análise sobre os rumos de Marina Silva: “Eleita deputada federal em 2022, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, descarta disputar uma vaga na Câmara no pleito deste ano. A ambientalista admite apenas a possibilidade de concorrer por uma vaga ao Senado por São Paulo, um cenário que dependeria do rumo escolhido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A reportagem apurou ser “pouco provável” que a ministra vá às urnas caso Haddad seja candidato ao Legislativo”. (O Globo, 07/01/2026). O que Marina diz, com razão, em minha opinião: ela será candidata ao Senado se Fernando Haddad for candidato ao governo do Estado ou então se ele não disputar a eleição e coordenar a campanha de Lula, como é o desejo dele. Se Fernando Haddad for candidato ao Senado, uma âncora importante para Lula em São Paulo, uma possibilidade que eu acho que ele aceita, Marina provavelmente não será candidata.
E veja como a eleição de uma senadora petista em Minas é importante para o PT no Brasil. O PT tem hoje nove senadores, sendo que quatro deles continuam o mandato e cinco estão em final de mandato. No Nordeste, onde nosso partido é mais forte nas disputas majoritárias, já tendo quatro governos de Estados, a margem para a ampliação das alianças, muito necessárias dado a fragilidade de nossos governos, é exatamente a abertura de candidaturas no Senado para partidos aliados. Para manter a bancada de nove senadores, ou crescer mais um ou dois, o PT precisa obter vitórias no Sudeste e no Sul, e já mostramos anteriormente as candidaturas que vem se destacando, como é o caso de Marília Campos em Minas Gerais.
Impressionante! Marília não se lançou pré-candidata ao Senado; ela abriu diálogo com o PT Minas, partidos aliados e com a população; ela diz “eu topo discutir minha candidatura ao Senado”, mas com pouquíssimas definições ela lidera quase todas as pesquisas em Minas para o Senado. Recentemente recebi no ZAP uma mensagem sobre a pesquisa Realtime BigData, que Marília lidera com 22% dos votos: “Está muito embolado ainda. Marília não tem uma frente tão grande, né?”. Escrevi ao meu interlocutor: “O que surpreende não é ela não ter uma frente muito grande, mas liderar as pesquisas sendo conhecida somente na grande bh. Vamos em frente!”.(…) Veja só as surpresas de Marília neste processo eleitoral de 2026. Não temos dados das pesquisas regionalizados, mas tudo indica que a Grande Belo Horizonte é a “grande tração” da intenção de votos da Marília neste momento. Fomos todo mundo surpreendidos com esta força na Grande Belo Horizonte, como é o meu caso e acredito também que a própria Marília; ou seja, o trabalho administrativo e político dela em Contagem “transbordou”, de forma impressionante, para a Grande Belo Horizonte. Este é o dado mais importante, porque dificilmente seria possível admitir a hipótese de renúncia de mandato sem esta força inicial de uma eventual pré-candidatura; não daria para discutir a desincompatibilização/renúncia para construir uma candidatura com pequena intenção de votos inicialmente. E veja que mais surpresas que estão acontecendo. Marília está sendo testada nas pesquisas sem se lançar informalmente como pré-candidata ao Senado; ela apenas abriu um diálogo com o PT Minas e a população, com expressões do tipo “eu topo discutir minha candidatura ao Senado”; “estou aberta a discutir o Senado”. Como vimos neste artigo, Marília lidera seis das sete pesquisas divulgadas em 2025; não tem o apoio formalizado da direção estadual e nacional para sua pré-candidatura (foram feitas duas reuniões com das bancadas estadual e nacional do PT Minas); Lula ainda não fixou posição sobre seu palanque em Minas Gerais; com pouca ou quase nenhuma definição sobre seu nome, Marília não abriu o debate e divulgação nos perfis dela na Internet, que tem 300 mil seguidores no Instagran e Facebook, não foi divulgada nenhuma pesquisa; a pré-candidatura de Marília ao Senado é sustentada politicamente e nas mídias sociais pelo PT Contagem e suas principais lideranças e pela corrente petista Tribo; e, mais recentemente, por mais algumas correntes petistas, lideranças partidárias, e lideranças de partidos aliados.
A condição para Marília ser candidata é ser prioridade do PT Minas e de Lula e sua candidatura deve ser acolhida de forma natural pela história dela e de sua enorme liderança. Ela não vai se humilhar para ser candidata, não vai fazer, como alguns sugerem, um “beija-mão”; compromisso com o PT e com Lula é uma marca dela nos mais de 45 anos de militância que ela tem. (…) Nossas posições políticas para Contagem, Minas e o Brasil estão registradas em dezenas de textos publicados; nossas contribuições para o resgate de Minas Gerais, muito baseadas na reconstrução de Contagem, estão registradas em uma publicação de 80 páginas: sustentamos que Minas deveria ter um desconto expressivo na sua dívida, sem federalização e privatização de empresas estatais; que os servidores, estando os gastos nos limites da Lei Fiscal, não deveriam ter novas exigências previstas em novas leis fiscais; que o Estado, sem capacidade de endividamento, deveria ter investimentos bancados pela União na fase de ajuste; que Minas é o terceiro PIB, mas na receita per capita ocupa apenas a 23ª posição no ranking dos Estados, ou seja, o problema de Minas não é somente a dívida, é preciso de medidas para recuperar a receita do Estado: mudança na Lei Kandir, redução desonerações; nas despesas defendemos a realização massiva de concursos públicos para viabilizar a previdência estadual (somente servidores efetivos pagam a previdência estadual) e fim da exigência do modelo de capitalização, que cria um rombo de R$ 750 bilhões para nosso Estado.
Marília é tetra prefeita; tem aprovação de 82% da população; Contagem é a terceira maior cidade de Minas e a segunda maior administração municipal petista do país; força na região metropolitana; chances reais de se tornar a primeira senadora da história do PT Minas.(…) Mas tem mais: Marília constituiu uma frente ampla em Contagem, tão sonhada pela esquerda, com 16 partidos de esquerda e de centro e isolamos a extrema direita, o mesmo objetivo que devemos ter no Estado. Marília é provavelmente um caso único no petismo no Brasil que sempre teve mandatos – vereadora, deputada, prefeita -, não de uma tendência somente, mas a cara plural do PT; Marília nunca utilizou a estrutura de poder para mudar a correlação de forças no PT Contagem. No seu governo tem pessoas de todas as tendências no primeiro e segundo escalão – Tribo, CNB, Articulação de Esquerda, Democracia Socialista, Movimento PT. No seu quarto governo, a petista deixou a cargo dos partidos aliados, inclusive do PT, a escolha de todos os membros do governo, do menor ao maior escalão, preservado uma cota pessoal dela como prefeita. Marília é presença constante nas atividades partidárias do PT Contagem; é uma das maiores leitoras de toda a produção política do petismo em nossa Cidade, e valoriza e lê com frequência os artigos do Blog do ZePrata&Ivanir; ela estimula a contribuição financeira dos filiados. Podemos dizer mesmo que a enorme participação de filiados e simpatizantes do PT Contagem resulta, em grande medida, do “trasbordamento” para dentro do PT da enorme participação popular do governo Marília Campos. São posturas que deveriam ser valorizadas e até mesmo se transformarem em referência para o petismo em todo o Brasil.
Marília não é uma aliada de Lula de trajetória recente; ela está ao lado de Lula até mesmo de antes do PT, participou com Lula da fundação da CUT e do PT; é uma das grandes lideranças sociais das décadas de 1980 e 1990, que continua firme, forte e popular até hoje. Marília é um caso único na esquerda brasileira, em grandes cidades pelo menos, que teve seus dois ciclos de governo na mesmas épocas de Lula: Lula governou o Brasil de 2003 a 2010 e Marília governou Contagem de 2005 a 2012; Marília retornou ao governo em 2020, se reelegeu em 2024 e Lula retornou à presidência em 2022 e lutamos pela sua reeleição em 2026. Por isso é que dizemos em Contagem: É Marília aqui; e Lula lá! Temos um enorme carinho e respeito pelo presidente Lula, mas temos a liberdade também, com base na rica experiência política que temos em Contagem, de apontar erros e limitações do governo dele. O maior desafio hoje do presidente Lula em Minas Gerais é montar o palanque competitivo no Estado. Nosso palanque deve ser ancorado por Rodrigo Pacheco, como quer o presidente Lula, mas se esta alternativa não se confirmar, será uma tarefa muito complexa a montagem de um “palanque competitivo” em nosso Estado e, para isso, precisamos ter humildade e flexibilidade política.
Pesquisas indicam que, sem Rodrigo Pacheco, Alexandre Kalil é a única candidatura de centro-esquerda competitiva em Minas Gerais; PT e Lula precisam se aproximar de Kalil. Já falamos da disputa para o Senado, e outra parte importante do nosso “palanque” político para 2026 será a disputa do governo do Estado.(…) Já citamos anteriormente que a eleição para o Senado não é certo que será nacionalizada, como pretende a extrema direita para assumir o controle da Casa Alta e poder encaminhar a aprovação e impeachment de ministros do STF. Mas não tem sido esta a tendência de diversas eleições, com a disputa do Senado mais vinculada à dos governos estaduais do que às disputas presidenciais. Até porque muitos dos candidatos são governadores que estão com mandato atualmente ou ex-governadores: “O retrospecto também sugere que o eleitor tem uma tendência a alinhar a escolha dos senadores com a de governador. Tanto em 2002 como em 2010 e 2018 a maior parte dos eleitos apoiava o candidato a governador que venceu a eleição”. Por isso é que um bom palanque para Lula em Minas, além de uma candidatura competitiva do PT ao Senado, passa por um palanque forte também para o governo de Minas. Lula não pode se vincular a uma candidatura para “marcar posição”, que tenha uma pequena intenção de votos, seja do PT ou de partidos aliados.(…) A negativa até agora do senador Rodrigo Pacheco, que era amplamente consensual no campo progressista, colocou o PT em uma posição muito delicada. As pesquisas, todas elas, indicam que, sem Rodrigo Pacheco, somente Alexandre Kalil sem “tração eleitoral”, ou seja intenção de votos que o coloca em segunda lugar. Mas Kalil tem hoje poucos interlocutores e apoiadores entre as lideranças petistas. O que fazer então, se candidaturas competitivas, como precisa Lula, não são “inventadas” na última hora?
Foram divulgadas muitas pesquisas em 2025, como as que citamos neste texto para o Senado, mas que tem também a intenção de votos para o governo do Estado; outras pesquisas foram feitas pelos partidos e não publicadas. Em todas elas aparecem as candidaturas até agora mais definidas: Cleitinho, liderando, Alexandre Kalil, em segundo lugar, Professor Mateus Simões e Gabriel Azevedo, com intenções de votos ainda pequenas. Já as eventuais candidaturas próprias do PT e de outras lideranças potencialmente aliadas não marcam mais do que 3% a 5% nas pesquisas. Tudo indica que Cleitinho, que é forte porque fura bolhas com a defesa do bolsonarismo e de propostas da esquerda (Isenção do IR, fim escala 6por 1, PEC da blindagem), será candidato se unificar toda a extrema direita e tiver o apoio do PL de Nikolas Ferreira; não é provável que ele se manterá candidato como “terceira via” porque sua intenção de votos será muito reduzida com perdas pela esquerda, de eleitores que são lulistas, e pela direita, de eleitores de Bolsonaro. Se Cleitinho não for candidato, é provável que, em um primeiro momento, Alexandre Kalil assuma a liderança das pesquisas, liderança que será mais sustentável se ele ampliar em muito o leque de apoios, em particular do PT, partidos aliados e de Lula. Matheus Simões, nas pesquisas é pouco conhecido, mas tem bom potencial de votos, não o “voto com certeza”, mas o “poderia votar” e, com uma ampla coligação pela direita, o vice-governador será uma candidatura competitiva. Já o PT e os partidos de esquerda, se optarem por uma candidatura pouco competitiva, poderão amargar um amplo isolamento eleitoral; isto obrigaria Lula a “cristianizar” nosso candidato a governador, fazer uma “campanha solo” e, no máximo, se vincular a uma candidatura ao Senado, se o nome entusiasmar a militância e a sociedade. Já Gabriel Azevedo poderá crescer se o PT não ocupar o espaço da centro-esquerda.
Por isso, defendo que o PT e Lula precisam retomar o diálogo com Alexandre Kalil, que é competitivo; mas o reencontro terá que superar desavenças de “parte a parte”. Faz todo o sentido, portanto, buscar politicamente a volta de Kalil, agora no PDT, para a Frente Ampla em Minas Gerais. Ele venceu duas eleições para a Prefeitura de Belo Horizonte; foi candidato bem votado nas eleições para o governo do Estado em 2022, em dobradinha com Lula; prefeito sempre foi um crítico do bolsonarismo, em particular na luta contra a pandemia Covid-19; pesquisas para as eleições de 2026 o colocam em segundo lugar, atrás apenas de Cleitinho. Kalil tem uma marca política muito própria, não tem “papas na língua”, tem dificuldades com os partidos políticos, mas, é preciso reconhecer, que estas posturas foram responsáveis, em grande medida, pelo seu sucesso político. Considero que são procedentes as mágoas do ex-prefeito. O PT não o tratou com a deferência que ele merecia como um parceiro na dura campanha de 2022, quando o petista venceu, por pequena margem, em Minas e Kalil teve a expressiva votação: 3.805.182 votos (35,08% do total). Kalil tem mágoas com o PSD de Belo Horizonte, que não o apoiou no primeiro turno, neutralidade que ele não manteve no segundo turno, quando apoiou Lula. É difícil de entender porque apoiar Lula e não também Kalil. Marília é uma interlocutora da esquerda junto a Kalil porque fizeram parcerias quando prefeitos e porque Marília foi uma das lideranças políticas que mais o apoiou na eleição para o governo do Estado, com a realização de diversos atos de campanha em Contagem.
Kalil não quer “nacionalizar” a disputa para o governo do Estado; o eixo dele é uma forte oposição a Romeu Zema e a Matheus Simões e contrapor com as realizações como prefeito de Belo Horizonte. Considero que Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, também apoiará Lula, desde que a eleição do Rio de Janeiro não seja nacionalizada; Paes se aproveita da crise do bolsonarismo no Rio de Janeiro, berço da extrema direita, e tenta fazer uma construção centrada na oposição ao governo Cláudio Castro, para ganhar a eleição por “WO”, sem adversários fortes, e no primeiro turno. Portanto uma aliança “não nacionalizada” com Kalil em Minas Gerais se for considerada inaceitável pelo PT e partidos de esquerda, a mesma estratégia possivelmente terá que ser repetida no Rio de Janeiro. Se o PT se isolar no “triângulo das bermudas” (Minas, Rio e São Paulo), eu considero um “suicídio político”. Também não deve ser empecilho para o diálogo com Kalil “a notícia de que ele teria manifestado não desejar um vice indicado pelo partido”. Na minha opinião não devemos repetir a estratégia de 2022, com a indicação do vice de Kalil; devemos discutir com ele e o PDT um vice do campo progressista e apostarmos no protagonismo na chapa com a indicação de uma candidatura ao Senado; se o PT concordar poderá ser a da prefeita Marília Campos, que poderá se tornar a primeira senadora da história do PT Minas. E Kalil e Marília poderão ser um “reforço mútuo”, ambos são muito fortes na Grande BH e na região Central, o que poderá potencializar as duas candidaturas para todo o Estado.(…) A posição de Kalil sobre a eleição presidencial é o maior desafio para fechar uma aliança dele e do PDT com o PT e campo progressista. Kalil é duro na oposição a Romeu Zema; mas suas posições beiram a “neutralidade” no que se refere ao apoio a Lula ou ao bolsonarismo nas eleições presidenciais. Algumas exigências de Kalil são aceitáveis, como na definição da candidatura de vice na chapa dele e de uma desnacionalização da candidatura para o governo do Estado. Mas o compromisso formal de toda a Frente Ampla e da candidatura Kalil pode ser discreto mas deve ser claro: presidente é Lula!
Alexandre Kalil tem qualidades boas para um candidato: a) ele está motivado para enfrentar a disputa eleitoral; b) ele tem consciência da grave situação financeira de Minas; em um dos seus vídeos, ele fala, de forma correta, que Minas deveria abandonar a ambição presidencial (como queria Aécio e agora Romeu Zema) e, inversamente, é o nosso Estado que deveria ser “escolhido” pelo próximo presidente para resgatá-lo da falência; c) Kalil tem um potencial de voto (votaria com certeza e poderia votar) de 54% a 60%, e uma rejeição em torno de 40%, o que o coloca bem posicionado, nestes quesitos, dentre os candidatos, como indicam as pesquisas divulgados em 2025 e aquelas feitas para o consumo interno dos partidos; d) ele sabe das fragilidades em termos de realizações do governo Romeu Zema: pesquisa Doxa indica que somente 18,9% dos eleitores sabem das “realizações” do governo Romeu Zema, os outros 81% responderam que Zema não fez “nada” ou “não sabe, não respondeu”; inversamente consultados sobre o que Zema “fez de pior”, 52% citaram alguma coisa, ou seja, Romeu Zema tem aprovação na faixa de 60% devido ao anti-petismo, ele repisa até hoje a falência de Minas e à anti-política, mas seu “legado” é muito frágil, o que mostra as dificuldades de sua candidatura presidencial em Minas Gerais e de seu candidato a governador em nosso Estado; e) Kalil poderá contrapor a situação difícil de Minas Gerais, mostrando suas realizações muito mais potentes como prefeito da capital; ele diz que os legados de Zema são dois: a decisão do STF, que suspendeu a divida de Minas e a fez disparar e a tragédia da Vale em Brumadinho, que vem garantindo investimentos do Estado; f) Kalil, como ex-prefeito, faz uma oposição à Romeu Zema com um conteúdo mais universal e menos corporativista, dialogando, assim, melhor com a população; nos seus vídeos nesta pré-campanha ele fala dos hospitais regionais não entregues; das fragilidades da educação; critica a privatizações de empresas públicas viáveis e rentáveis; fala da má conservação das estradas; critica Zema, o homem que come banana com casta; afirma que Mateus Simões terceiriza os fracassos do Estado para Pimentel, Aécio, como caso do elevador da Cidade Administrativa, e até para JK; e) Kalil não é um político tradicional, não tem papas na língua, o que poderá ser um trunfo em um estado em que ainda muito marcado pela anti-política; claro que este estilo pode sofrer uma importante “repaginada” pelos marqueteiros, evitando os excessos e xingamentos e fazendo uma transição de um projeto de um presidente de time de futebol, exercido de forma quase solitária pelo presidente, para um governador que vai resgatar Minas da falência, que tenha grande capacidade de articulação política para mudar a história de nosso Estado; f) Kalil pode, com estas qualidades, ampliar e consolidar o sentimento de mudança em Minas: continuidade e mudança tem os seguintes placares nas pesquisas: Doxa (continuidade: 34% e mudança: 56%); Realtime BigData (continuidade: 54% e mudança: 41%).
Eleição presidencial: as realizações do governo Lula seriam suficientes para reelegê-lo se não vivêssemos em uma época marcada por forte polarização política; Lula, em discurso recente reconheceu aquilo que dizemos há tempos em Contagem: “a polarização impede a aprovação mais ampla de nossos governos”; a conclusão nos parece óbvia: quanto menor for a polarização, e a esquerda pode contribuir neste sentido, melhor para quem é governo, melhor para a reeleição de Lula. Lula, na reunião do ministério de final de ano do governo, reconheceu, em manchete do jornal O Globo, que “polarização atrapalha avaliação do governo”. É isto o que temos dito a tempos em Contagem. Marília só tem 82% de aprovação popular em Contagem porque não polariza e tem uma estratégia radicalmente afirmativa em defesa de seu governo e de suas realizações nas políticas públicas e nos investimentos. É isto que explica também a surpresa que é a liderança de Marília nas pesquisas para o Senado, tudo indica como “transbordamento” da política dela de Contagem para a Grande Belo Horizonte e parte do interior de Minas Gerais.
Lula disse, com uma ponta de decepção, o seguinte e foi repercutido pelo jornal O Globo: “Conseguimos terminar o ano em uma situação amplamente favorável, embora isso não apareça com a força que deveria aparecer nas pesquisas de opinião pública, porque existe uma polarização política no país: é como se fosse Corinthians e Palmeiras, Ceará e Fortaleza, Grêmio e Internacional, Atlético Mineiro e Cruzeiro, Flamengo e Vasco. Tem uma rivalidade em que ninguém muda de posição a não ser em momentos extremos. Eu tenho impressão que nós ainda não conseguimos a narrativa correta para fazer com que o povo saiba fazer uma avaliação das coisas que aconteceram nesse país — disse Lula. O dado concreto é que o ano eleitoral vai ser o ano da verdade. Temos mostrar quem é quem neste país”.
Impressionante: no grande Encontro da vereadora Moara Saboia, recentemente, eu, José Prata, disse que as realizações do governo Lula, em épocas normais, seriam mais que suficientes para reelegê-lo; mas que a polarização dificultava o reconhecimento de tantas conquistas. E repeti o que tenho dito: é um absurdo a estratégia economicista, que eu como economista sou muito crítico, de que podemos polarizar, “atropelar politicamente quem discorda de nós” e depois “querer convencer as pessoas pela economia”. Não vai dar certo esta estratégia economicista. Vamos convencer as pessoas é politicamente com um amplo diálogo social, como faz Marília em Contagem.
Recentemente, foi publicado no jornal Valor Econômico um longo artigo, de Gustavo Pessoa, que reforça as nossas teses contra a polarização, intitulado “O país dos bons números e do mau humor”. Disse o autor: “A economia brasileira atravessa um período que, sob a ótica dos números, deveria inspirar confiança. A inflação acumulada se mantém estabilizada, o desemprego está entre os menores desde 2014, a renda real cresceu de forma consistente ao longo do último ano, o PIB surpreendeu positivamente em diversos trimestres e os investimentos, ainda que desiguais, mostram sinais de retomada gradual. Some-se a isso um ambiente externo menos adverso do que em 2021-2022, e teríamos, em teoria, um país mais otimista. No entanto, o sentimento predominante na sociedade continua marcado por uma espécie de desconfiança difusa. As pessoas não se sentem tão bem quanto os números sugerem”. O autor conclui que a polarização amplifica “discursos negativos”: “Narrativas emocionais têm maior poder de contágio do que tabelas e gráficos. No Brasil, redes sociais altamente polarizadas amplificam discursos negativos. Em outras palavras, o que as pessoas acreditam muitas vezes pesa mais do que o que realmente acontece”. (Valor Econômico, 27/12/2025).
Na minha opinião, o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, pode ser a oportunidade para adotarmos a narrativa correta, como sugere Lula, nestes tempos tão conturbados. Ao invés de manter a polarização com o bolsonarismo, devemos apostar numa estratégia afirmativa de defesa do governo Lula e de suas realizações e aproximar dos eleitores de centro e até mesmo da direita democrática para uma Frente Ampla, em torno da defesa dos direitos sociais, da democracia e da soberania nacional.
Cito aqui, para terminar, os sete argumentos que temos colocado em Contagem contra a polarização: a) a polarização, o nós contra eles, trata os eleitores de Bolsonaro como um “bloco único”, como “gado”, como se diz, o que impede de abrir diálogo com segmentos mais moderados que votaram em Bolsonaro mas que podem ser ganhos para o voto em uma Frente Democrática; ou seja a polarização empurra eleitores de centro para a extrema direita; b) a polarização praticamente congela a correlação de forças; veja o caso do governo Lula, o presidente foi eleito com 51% dos votos e manteve, por quase dois anos, a avaliação estagnada no mesmo percentual de votos que teve na eleição. E pior: não ganhou eleitores de Bolsonaro para o nosso lado e perdeu parte dos eleitores que votaram em Lula, com a aprovação sendo reduzida para 45% a 48%; c) a polarização somente interessa a oposição, que, não sendo governo, não tendo nada a mostrar, age como uma “metralhadora giratória”; governo é avaliado, majoritariamente, pela gestão, pelas entregas que faz em termos de políticas públicas e investimentos em obras; d) a polarização não é uma disputa política, é uma marcação de posição junto aos “convertidos”. Disputa política significa que você tem como meta tirar apoiadores do outro lado; quem polariza não dialoga porque o objetivo não é convencer gente do outro lado, mas crescer entre os apoiadores da bolha progressista. A polarização interessa à representação parlamentar individualizada que temos no Brasil, é autofágica, porque visa disputar apoio e votos com os companheiros do próprio partido, que os ameaça na eleição; a polarização não interessa às lideranças majoritárias, que precisam ser mais consensuais para vencerem as disputas majoritárias; e) a polarização é perigosa mesmo que o governo volte à situação anterior de 51% de aprovação; a situação de empate é muito perigosa para quem é governo, que, sendo responsável pela gestão do país, fica exposto às variações conjunturais (repiques de inflação, câmbio, emprego, preços dos alimentos) que podem levar à derrota; f) a polarização, como afirmam os partidos de centro, não é entre dois extremos, temos no Brasil, de forma ampliada, apenas um extremo: a extrema direita. No passado, pelos menos até 2014 tivemos uma polarização entre PT versus PSDB, mas é muito diferente de hoje, porque eram dois partidos que divergiam, mas com claros compromissos democráticos. Rodrigo Pacheco afirmou certa vez que não existe polarização em torno da democracia, soberania nacional e o papel social do Estado; estas são cláusulas pétreas de nossa Constituição, que precisam ser defendidas por todos que tem compromissos com a nação brasileira; g) não polarizar não significa, portanto, neutralidade política, significa a defesa politizada de nossa agenda nacional centrada na defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania nacional.
José Prata Araujo é economista.
